QUEM SOU EU! PADRE FÁBIO DE MELO


Quem sou eu? Eu vivo pra saber. Interessante descoberta que passa o tempo todo pela experiência de ser e estar no mundo. Eu sou e me descubro ainda mais no que faço. Faço e me descubro ainda mais no que sou. Partes que se complementam. O interessante é que a matriz de tudo é o "ser". É nele que a vida brota como fonte original. O ser confuso, precário, esboço imperfeito de uma perfeição querida, desejada, amada.
Vez em quando, eu me vejo no que os outros dizem e acham sobre mim. Uma manchete de jornal, um comentário na internet, ou até mesmo um email que chega com o poder de confidenciar impressões. É interessante. Tudo é mecanismo de descoberta. Para afirmar o que sou, mas também para confirmar o que não sou. Há coisas que leio sobre mim que iluminam ainda mais as minhas opções, sobretudo quando dizem o absolutamente contrário do que sei sobre mim mesmo. Reduções simplistas, frases apressadas que são próprias dos dias que vivemos. O mundo e suas complexidades.
As pessoas e suas necessidades de notícias, fatos novos, pessoas que se prestam a ocupar os espaços vazios, metáforas de almas que não buscam transcendências, mas que se aprisionam na imanência tortuosa do cotidiano. Tudo é vida a nos provocar reações. Eu reajo. Fico feliz com o carinho que recebo, vozes ocultas que não publico, e faço das afrontas um ponto de recomeço. É neste equilíbrio que vou desvelando o que sou e o que ainda devo ser, pela força do aprimoramento.
Eu, visto pelo outro, nem sempre sou eu mesmo. Ou porque sou projetado melhor do que sou, ou porque projetado pior. Não quero nenhum dos dois. Eu sei quem eu sou. Os outros me imaginam. Inevitável destino de ser humano, de estabelecer vínculos, cruzar olhares, estender as mãos, encurtar distâncias. Somos vítimas, mas também vitimamos. Não estamos fora dos preconceitos do mundo. Costumamos habitar a indesejada guarita de onde vigiamos a vida. Protegidos, lançamos nossos olhos curiosos sobre os que se aproximam, sobre os que se destacam, e instintivamente preparamos reações, opiniões.
O desafio é não apontar as armas, mas permitir que a aproximação nos permita uma visão aprimorada. No aparente inimigo pode estar um amigo em potencial. Regra simples, mas aprendizado duro.Mas ninguém nos prometeu que seria fácil. Quem quiser fazer diferença na história da humanidade terá que ser purificado neste processo. Sigamos juntos. Mesmo que não nos conheçamos. Sigamos, mas sem imaginar muito o que o outro é. A realidade ainda é base sólida do ser.

Tatiana Belinky: amor e respeito à palavra PostDateIcon fevereiro 12th, 2010 | PostAuthorIcon Author: Gabriel Chalita

“Sou antiga, mas não sou velha, porque dentro de mim continua vivinha a criança que fui e isto me permite estar em sintonia com crianças e jovens, com quem procuro repartir minhas curtições de ontem e de hoje. Meu prêmio maior é saber que meus livros irão para as mãos das crianças, e se elas sorrirem, ou se emocionarem, ou ficarem pensativas, eu ficarei feliz”.
 Assim é Tatiana Belinky. Meiga, doce, gestos leves, sorriso de menina,  olhar fremente de curiosidade. Afirma que  nada em sua vida acontece pela última vez, mas pela penúltima. Sempre.  É a sua paixão pela vida que ela faz questão de salientar.
 Perto de completar 91 anos, Tatiana é um exemplo de vivacidade, de esperança, de bom humor e serenidade.  E de infinitas conquistas. A mais recente é seu ingresso na Academia Paulista de Letras. Passará a ocupar a cadeira de número 25, antes pertencente ao querido Prof. Pedro Kassab. Será um prazer desfrutar do convívio com  tão fascinante escritora, nas nossas tardes de encontro  na  Academia . Seja muito bem-vinda!

Assistam à entrevista de Tatiana Belinky sobre seu ingresso na APL:

A maturidade nos faz perceber que não podemos mudar os fatos
A maturidade faz parte de um processo. Em um processo não podemos queimar etapas. Ele é lento, chato e demorado. Uma criança passa por um momento de amadurecimento a partir do momento que começa a brincar. A maturidade acontece, quando tomamos posse do que nós somos, para aí então poder nos dividir com os outros. Isso faz parte do processo de maturidade.
Não nascemos amando, pelo contrário, queremos ter a posse dos outros. Essa é a forma de amar da criança, pois ela não consegue pensar de maneira diferente. Ela não consegue entender que o outro não é ela. Quantas pessoas já adultas pensam assim, trata-se da incapacidade de amar, falta de maturidade.
Todos os encontros de Jesus levam a implantação do Reino de Deus. Mas só pode implantar esse reino quem é adulto, que já entende que só se começa a amar a partir do momento, que eu não quero mudar quem eu amo.
Geralmente quando tememos alguém ruim ao nosso lado, é porque nos reconhecemos naquela pessoa. Jesus não tinha o que temer porque era puramente bom, por isso contagiava os que estavam ao seu lado. Na maturidade de Jesus você encontra a capacidade imensa de amar o outro como ele é. Amar significa: amar o outro como ele é. Por isso quando falamos em amar os outros, podemos perceber o quanto deixamos de ser crianças. Devemos nos questionar a todo o momento quanto a nossa maturidade. A santidade começa na autenticidade.
Por isso Jesus nos pede para ser como as crianças, que são verdadeiras e simples. É nisso que devemos manter da nossa infância e não a forma de possuir as coisas para si.
Você tem condições para perceber a sua maturidade. É só observar se você é obediente mesmo quando não há pessoas ao seu redor. Você não precisa que ninguém te observe, pois você já viu aquilo como um valor. Pessoas imaturas sofrem dobrado. Pessoas imaturas querem modificar os fatos, pessoas maduras deixam que os fatos os modifiquem. A maturidade nos faz perceber que não podemos mudar os fatos. Um imaturo ganha um limão e o chupa fazendo careta. O maduro faz uma limonada com o limão que ganhou. Muitas vezes os nossos relacionamentos de amizade são uns fracassos porque somos imaturos. Amigos não são o que imaginamos, mas o que eles são e com todos os defeitos.
Amizade é processo de maturidade que nos leva ao verdadeiro encontro com as pessoas que estão ao nosso lado. Elas têm todos os defeitos, mas fazem parte da nossa vida e não a trocamos por nada deste mundo. Isso porque temos alma de cristão e aquele que tem alma de cristão não tem medo dos defeitos dos outros, porque sabe que aqueles defeitos não serão espelhos para nós, mas seremos um instrumento de Deus para ele superar esse defeito.Padre só pode ser padre a partir do momento que é apaixonado pelos calvários da humanidade. Se você não consegue lidar com os limites dos outros, é porque você não consegue lidar com os seus limites.
A rejeição é um processo de ver-se. Toda vez que eu quero buscar no outro o que me falta, eu o torno um objeto. Eu posso até admirar no outro o que eu não tenho em mim, mas eu não tenho o direito de fazer do outro uma representação daquilo que me falta. Isso não é amor, isso é coisa de criança. O anonimato é um perigo para nós. É sempre bom que estejamos com pessoas que saibam quem somos nós e que decisões nós tomamos na vida. É sempre bom estarmos em um lugar que nos proteja. Amar alguém é viver o exercício constante, de não querer fazer do outro o que a gente gostaria que ele fosse. A experiência de amar e ser amado é acima de tudo a experiência do respeito.
Como está a nossa capacidade de amar? Uma coisa é amar por necessidade e outra é amar por valor. Amar por necessidade é querer sempre que o outro seja o que você quer. Amar por valor é amar o outro como ele é, quando ele não tem mais nada a oferecer, quando ele é um inútil e por isso você o ama tanto. Na hora que forem embora as suas utilidade, você vai saber o quanto é amado. Tudo vai ser perdido, só espero que você não se perca. Enquanto você não se perder de si mesmo você será amado, pois o que você é significa muito mais do que você faz.O convite da vida cristã é esse: que você possa ser mais do que você faz! ”
Padre Fábio de Melo

JESUS MISERICORDIOSO EU CONFIO EM VÓS EU ESPERO EM VÓS

Sou o Amor e a própria Misericórdia e não existe miséria
que possa medir-se com a Minha misericórdia,nem a miséria
a esgotará, visto que a medida que se dá - aumenta. A alma
que confiar na Minha misericórdia é a mais feliz, porque
Eu mesmo cuido dela.”
D. 1273


VERLYDESALLES

AME UM POUCO MAIS

  "Queira ter um pouco mais de Amor no seu coração.
Ame um pouco mais.

Desista menos dos outros.

Ofereça mais a sua parte boa.

Controle um pouquinho mais aquilo que você tem de ruim dentro de você.
Controle essa ruindade através das suas palavras....
Controle o que é ruim no mundo a partir da sua palavra.
Quantas vezes nós firmamos o que é ruim no mundo a partir do que a gente fala.

Se já tem tanta maldade no mundo e a maldade ainda encontra espaço na nossa boca,a gente perde a autoridade pra lutar contra o que é maldade!

Não permita que a maldade esteja nos seus olhos!
Quantas vezes nessa vida nós julgamos os outros,porque?
Porque a maldade está nos nossos olhos.
Não é o outro que é ruim,a gente é que está olhando de um jeito ruim para ele. Controle. Não permita.

Coloque um pouco mais de Amor nas suas palavras.
Coloque um pouco mais de Amor nos seus olhos,coloque um pouco mais de Amor nos seus ouvidos.
Não escute qualquer coisa.
Não dê atenção a qualquer coisa.

Faça um compromisso com você mesmo.
Não dê ouvidos aquilo que lhe destrói,não dê ouvidos as palavras maldosas,só escute aquela crítica que verdadeiramente estiver comprometida com o seu crescimento.
Não escute os invejosos,eles não tem outro objetivo senão apagar a sua Luz.
Para que??
Para que você vai apagar a sua Luz se ela foi feita para brilhar!

Se existem os invejosos de plantão querendo apagar a sua Luz não dê ouvidos à eles!

Controla a sua prática,sua atitude,coloca um pouco mais de Amor nas suas atitudes.
Faça os encontros acontecerem ao invés de causar a divisão.

Seja mais amoroso,seja mais amoroso com seus amigos,seja mais amoroso no seu local de trabalho,seja mais terno,mais educado,você vai fazer a diferença....

Nós temos uma oportunidade Feliz de trazer Jesus para o mundo através de nós,através do nosso exemplo,através da nossa atitude.

Seja um parceiro do Bem,seja um parceiro da Bondade.

Que Deus tenha a oportunidade em mim,em você e que juntos a gente possa viver esta proeza bonita de transformar o mundo.”

Pe Fábio de Melo!

LUIZA A MULHER QUE NOS ENSINA. Pe FÁBIO DE MELO

Luiza é o seu nome. A dor que sente não tem nome. Brota das raízes mais secretas da alma. Coisa de mãe, coisa de gente que soube recriar o mundo a partir do próprio ventre. A maternidade coloca as mulheres numa parceria invejável com Deus!
Luiza contou-me rapidamente sobre sua dor. Eu não pude ver os seus olhos, mas pude escutar sua alma.
O seu filho de 30 anos, médico, oficial da marinha estava morto. Vítima de uma fatalidade, perdeu a vida ao atravessar um cruzamento em Florianópolis.
Depois que ouvi Luiza eu fiquei pensando no mistérios das perguntas que nos rondam, toda vez que a dor vem nos visitar.
Fiquei tentando entender o quanto deve ser difcil para uma mulher ter que protagonizar a imagem da Pietá, a virgem que segura o filho morto nos braos, aos pés do calvário.
Recolher o filho do chão, aconchega-lo ao colo e despedir-se dele definitivamente.
A crueza da cena é uma proposta ao silêncio. Arranca-me do mundo das palavras, das respostas prontas e faz-me sentar ao chão, ao lado da mãe, para que eu possa ouvir sua respiração ofegante de dor.
Arranca-me dos meus livros, da minha Teologia sistematizada e convida-me a sujar-me na terra do calvário, onde o sangue do filho mistura-se às lágrimas da mãe.
Mistura diferente daquela que o trouxe á vida, quando o seu sangue circulava dependente do sangue da sua primeira mulher.
Lágrimas diferentes de tantas outras já derramadas. Lágrimas de alegria por ver o filho dar os primeiros passos; lágrimas de preocupação em noites em que ele demorava voltar para casa. Lágrimas de vitória, quando em noite especial e de gala, aquele garoto crescido, que até tão pouco tempo lhe confiava os joelhos esfolados de futebol, de quedas de bicicleta, agora estava pronto para medicar as dores do mundo.
Um filho especial, como ela mesma me confiara.
Luiza e sua dor. Luiza e suas saudades. Luiza e suas lições.
Fiquei pensando nas minhas pequenas reclamações. Nos cansaços diários que me desiludem e que me despregam da alegria. Pensei no coração de Luiza e quis deixar de reclamar da vida.
O meu sofrimento perde a sua força quando eu o coloco ao lado dessa mulher. E nisso já está a ressurreição do seu filho. Esta dor nos ensina e nos coloca no rumo da sabedoria. Da mesma forma que Maria nos aponta para o sofrimento de Jeus, para que entendamos o nosso sofrimento.

Maria e Luiza são mulheres parecidas nesta hora. Ambas embalaram o filho morto nos braços. Canções de ninar secretas foram entoadas nos silêncios dos lábios. O choro de mãe é oração que tem o poder de mudar o mundo. Só precisamos parar para ouvir...
Hoje, no silêncio de sua dor, pare pra pensar no sofrimento de Luiza. Exercite-se na proeza de esquecer o que lhe aflige, e recorde-se dessa mulher que desconhecemos o rosto, mas conhecemos a dor. Ela tem muito a nos ensinar. Ela é um livro que pode ser lido sem palavras. Ela é um testemunho vivo de que na vida, mesmo nas perguntas mais doídas, há sempre uma esquina que pode nos dar outras opções, além da morte.
Na prece silenciosa que essa mãe nos desperta, permaneçamos. Amém.



Padre FÁbio de Melo

O SENTIDO DA VIDA


Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura...
enquanto durar.
Cora Coralina

AMOR PROFILÁTICO Mulheres Cheias de Graças Pe. Fábio de Melo


Escutou a palavra e notou que era bonita. – Profilá-tico – repetiu. Sussurrava. Prolongava as sílabas. Não queria
se desprender do gozo. Agia como se fosse escritora e
naquele momento estivesse se exercitando no ofício de
investigar a riqueza semântica do vocábulo.
“Profílático, profílático.” Os olhos fechados pareciam
procurar a direção das origens do mundo, dando-me a impressão
de que aquela palavra recém-descoberta possuía o poder
de lhe devolver ao estado primeiro das coisas, ligando-a novamente a um paraíso perdido, fíndado, porque esquecido.
O rosto testemunhava o espírito compungido. A fala mansa e repetida sem ansiedade era uma espécie de prece, palavra que ordena, direciona, redime. Nesse ímpeto de encantamento e paixão pela palavra,ela resolveu concluir, ainda que absorta em inexata compreensão: – O amor que sinto por Jorge é profílático.
– Repetiu a frase como se quisesse investigar os desdobramentos
práticos daquele amor e quem sabe, assim,compreender o signifícado da palavra.A doçura na voz emoldurava a expressão. Conferia--lhe um contexto de amabilidade nunca antes alcançado
por outro vocábulo. A palavra a atingia e a afetava de maneira
inesperada e surpreendente.
Eu também escutei sem entender. Mergulhei no mistério
do desconhecido termo e não o quis por sua lógica.
Acolhi a força sonora e musical, e só. Não tive coragem de perguntar, nem tampouco procurar saber, o que signifícava “profílático”. Temia atentar contra a sacralidade do termo.Abracei a sonoridade e a assumi como verdade. Amor profílático deve ser um amor cheio de profundidade,empenho, lisura. Manhãs de inverno e luz tímida de lamparina acesa. Mulher à beira de um fogão alimentado de lenha seca e café deslizando suavemente pelo coador de pano encardido.
A vida de um amor profílático deve ser assim. Coisas lindas costurando as feiuras do dia, cobrindo de bordados cheios de minúcias os avessos e suas ranhuras. Amor que recobre de brilho a estrutura opaca da existência e transforma
o cotidiano da vida num acontecimento único, fato que não merece cair no esquecimento.................

Pe. Fábio de Melo

HOMENS DE CINZA- GABRIEL CHALITA

...Era menino ainda quando entrou na Faculdade
de Direito. Começava o sonho de ser juiz.Que injustiça! Em uma festa de calouros e vete-
ranos, o sonho acabou.Mayara sofreu e se consumiu naquele velório re-
pleto de interrogações.
– Por quê? – eu insistia comigo mesmo.
Descobriram os farristas. Julgaram. Prenderam.
E daí? Não foi Victor o juiz. Não. Roubaram dele o
direito de ser o que sonhara.
Na volta do cemitério, a casa ficou repleta de
amigos que tentavam dividir o peso do nosso encontro inexorável com a realidade. Por mais que tentassem, éramos nós, apenas nós que haveríamos de continuar.
Mayara e eu nos olhamos. E agora? Pensávamos e nada dizíamos. Ela pediu que enlaçássemos as mãos. Ficamos assim por não sei quanto tempo. Sem palavras. Apenas as mãos. As mesmas que acariciaram Victor pequeno, que o apoiaram nas quedas em tentativas frustradas de andar.

As mãos que tocavam para medir a febre em doenças corriqueiras,
mas preocupantes para pais de única viagem. As mãos
que o abraçavam em dias de festa. Victor gostava de
festas e de muita gente. Será que ele viu quanta gente
havia no seu enterro? Quantas lágrimas ele foi capaz de
reunir?
Tentei dizer alguma coisa a Mayara. Não conse-
gui. Ela talvez também tenha tentado. Não teve suces-
so. Silentes, deitamos e não dormimos.
Achamos por bem esperar alguns dias para arru-
mar o quarto sem vida. Cada peça de roupa tinha uma
história. Bilhetes guardados. Documentos de menino.
Cheiro na fronha que não tínhamos coragem de lavar.
Quanto tempo ainda ficaria ali aquele cheiro bom?

Escova de dentes. Os primeiros dentes de leite. Fotografias.Bola velha de futebol. Troféus. Medalhas. Silêncio. Dor.
Sozinhos. Nós e as pausas para as lágrimas insis-
tentes. O tempo haveria de cicatrizar a dor. Não o fez.
Resolvemos viajar. Desistimos. A volta seria mui-
to dolorosa. Ficaríamos imaginando talvez que ele es-
tivesse em casa, no seu quarto, nos esperando para
nos assustar. Como ele ria quando conseguia pregar
um susto na mãe.Resolvemos mudar de casa; aquela guardava lembranças demais. Ficamos na mesma casa. Concluímos que a dor iria junto.....

Gabriel Chalita

VOCÊ É MISERICORDIOSO COM TODOS?



Com muita insistência Jesus disse a Santa Faustina:
 

“Oh! Se os pecadores conhecessem a minha misericórdia, não se perderiam em tão grande número! Diz às almas pecadoras que não temam aproximar-se de Mim, fala da minha grande misericórdia”.

A Misericórdia Divina não se cansa de bater à porta do nosso coração. O Senhor é bondoso e paciente para conosco e convida-nos para que sejamos da mesma forma com as pessoas que nos rodeiam:

“Irmãos, vós sois amados por Deus, sois os seus santos eleitos. Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mútuamente, se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também. Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição” (Cl 3,12-14).

O Senhor não faz acepção de pessoas. Ele é bondoso para com todos: Com os bons e os maus. Contudo, nossa tendência humana é sempre ser próximos dos que nos aprovam e comungam com as nossas ideias,se forem diferentes de nós, logo os excluímos por não se encaixarem em nossos “padrões”.

Tomemos por modelo o Pai do Céu: “Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36).

No dia de hoje, vamos nos exercitar, em todos os momentos, na misericórdia com aqueles que convivem conosco, com todos que vierem nos procurar, de modo que todos os que vierem ao nosso encontro não tenham medo nem se sintam mal, mas se sintam livres para dizer a sua verdade e sejam acolhidos por nós.
Jesus, eu confio em Vós!





Luzia Santiago!